Ela tinha chegado a tempo suficiente para ir e voltar a casa, mas não havia nada que pudesse fazer, já que os outros ainda estavam a caminho. Como tinha que esperar, preferiu ficar na livraria, assim o tempo passaria mais rápido.
- É nisso que dá ouvir minha mãe dizer que eu pego muita carona e querer vir me deixar. Mas ainda bem que vocês já tão perto. Quando vocês chegarem, me liga. Mas, provavelmente, eu ainda vou estar na livraria.
Desligou o celular, pôs no bolso e voltou a ler seu livro. Passou a página e começou a percorrer os olhos pelas linhas, segurando o livro firmemente e brincando com o marca-página, girando-o como se fosse uma baqueta, quando foi surpreendida por uma voz desconhecida:
- Você sempre vai ao shopping para ler? – Ele sentou-se na poltrona do seu lado.
Ela virou-se para ver quem era e ficou extasiada por ver que era um garoto famoso de outro estado. Mas segurou sua reação e fechando o livro com seu dedo na página em que estava disse:
- E você, costuma falar com estranhos em qualquer lugar, ou só no shopping? – Deu uma leve risada e abriu um sorriso debochado.
- Justo. – Sorriu e esticou o braço – Meu nome é.. – E foi interrompido por ela.
- Eu sei quem você é. Percebi quando vi aquelas meninas cochichando e desejando que eu morresse. – Passou a olhar para uma estante, onde algumas meninas se escondiam, enquanto ele se virava para fazer o mesmo.
Eles puderam ouvir gritinhos e risos, ao mesmo tempo em que ele ria envergonhado e ela sem acreditar no que acontecia.
- Mas você ainda não me respondeu – disse ele se virando para olhá-la.
- Ah, não! Mas sempre levo um livro na bolsa. Nunca se sabe quando se vai precisar de um amigo, não é mesmo? – E ela sorriu, deixando o atordoadamente encantado.
- Faz sentido... Por sinal, adorei sua bolsa – Falou apontando para a bolsa que a menina tinha no colo. Mas logo que se calou, achou que era um babaca por ter falado aquilo.
Ela só sorriu e disse, enquanto punha o marca-página dentro do livro e abria a bolsa:
- Sério? Obrigada, eu adoro bolsas grandes e cheias de bolsos. Cabem tudo.
E ao calar-se, pôs uma sacola com três CDs e seu livro na bolsa.
- Mas o que você faz aqui, tão longe de casa?
- Vim visitar um amigo, afinal, estamos de férias!
Os dois sorriram, viraram e sentiram o outro corar. Ela abaixou a cabeça procurando coragem e, os dois, falaram ao mesmo tempo:
- Seu amigo deve ser bonito – Ela
- O que você tá lendo? – Ele
-Orgulho e preconceito – Sorriu quando disse
- Por que? – riu sem entender
- Porque pessoas bonitas têm amigos bonitos – disse rindo, como se tivesse esperado muito tempo para falar aquilo e tivesse saído como esperado.
Ele logo começou a rir com ela e deu um sorriso enorme.
- Então aposto que os seus são mais bonitos que os meus – disse ele contente.
- E eu aposto que você precisa de óculos – ela disse sem graça, quando seu celular começou a tocar e ela atendeu – Fala, chapa. Ahãm, tô na livraria. Em baixo. Tá bom – E desligou.
- Eu gosto muito dessa música! Essa banda é muito boa...
- Ah, eu também! É uma das minhas bandas favoritas. Comprei mais um cd deles hoje – Falou entusiasmada
- Nossa, que legal! Posso ver? Tenho umas músicas deles no meu ipod – E pôs para tocar.
- Claro! – Tirou o saco da bolsa, entregou a ele e pegou seu ipod.
Enquanto ele via os CDs, ela mordia o lábio e se perguntava como aquilo estava acontecendo. Ficou imaginando coisas bobas e rindo sozinha. De repente percebeu que ele estava olhando-a sem entender e seus amigos estavam em pé na frente deles, os encarando. Ela pôs-se de pé e disse:
- Esses são Luíza, Matheus e Rafael, meus amigos. E eu aposto que, pelas caras, vocês sabem quem ele é. – Disse virando para ele e dando-lhe o ipod.
- Sim! Claro! Ahãm! – Disseram os três em uma só voz.
Os dois ficaram sem graça e ele pôs a sacola com os CDs de volta na bolsa dela, para poder se levantar. Enquanto ela fechava a bolsa e ficava ao lado dos seus amigos, esses davam cotoveladas e beliscões uns n os outros. Já o menino, encabulado, apenas passava a mão na nuca.
- Ééé.. Prazer conhecê-lo! Você é mais simpático do que na internet – Disse ela sem segurar o riso.
- Ah, e você é quase tão simpática quanto bonita! – Falou o garoto, deixando-a vermelha como ele.
E com a frase, deu-lhe um beijo na bochecha. O que provocou uma cara de nojo nos meninos e um imenso ‘ooh’ da menina.
- A gente se encontra por aí. Esse shopping não é tão grande quanto parece. – Dizendo isso retribuiu o beijo e os quatro saíram.
Ainda extasiado, ele pôs uma mão no bolso e abaixou a cabeça, sorridente. Passou a mão no cabelo e ficou daquele jeito por alguns segundos, que mais pareceram um ano.
Chegou a casa, desolado, por não tê-la visto de novo. Mas quando foi ouvir música, percebeu que, na livraria, a menina não havia feito o mesmo: havia algo em que ele não podia acreditar. Ela havia posto no bloco de notas seu telefone e seu e-mail, com um recado. E a mensagem era parte da letra da banda que os dois tanto amavam e servia de toque para o celular dela.
A-M-E-I o final!!!
ResponderExcluirSabe que eu sempre venho por aqui né!?
Deveria atualizar menina, voce escreve bem :D
www.robertavladya.blogspot.com
Só tu, a Hayana e o Henrique, por isso que eu não escrevo tanto..
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