sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Ano novo = Vida nova ?


                Mais 365 dias se passaram e a esperança de – mais um – novo começo está de volta. Mas, se você acompanhar meu raciocínio, vai ver que a coisa não é bem assim.
                A época de fim de ano traz consigo um espírito de magia: todos são felizes, unidos, alegres e solidários. É um período de agradecer e perdoar. Reconhecer os erros e fazer as pazes. Tudo isso pelo nascimento de alguém, que para muitos é a nossa salvação, e pela idéia de terminar tudo.
                Depois do Natal tudo se resume ao Réveillon: decidir onde ficar, com quem, com que roupa, os fogos de artifício, a música. Um bom tempo antes do dia 25 também é dedicado a tais detalhes, só que as pessoas não percebem que essas escolhas não influenciarão em nada. As cores não mudam nada, não “atraem” coisas para o ano que bem. O que importa é que seja um momento agradável com pessoas que gostamos.
                Depois de outubro, as mudanças ou acontecimentos são programados para depois ou até o dia 31 de dezembro. Essa data serve de prazo ou partida para realizações. Dicas:
1.       Faça seu melhor e faça ao seu tempo; nada de apressar ou atrasar seu processo criativo, ou qualquer que seja ele, por causa de uma imposição;
2.       Se você acredita em mudanças não espere o primeiro dia de novos 365. Nem que o mês acabe. Ou que a semana termine. Mude logo amanhã. Todo dia é uma nova oportunidade. Aproveite-a!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Simplesmente

Incrível como o Sol nasce todo dia e nós nem damos conta, só o vemos depois que ele já está no seu lugar. Muitas vezes desejamos que ele voltasse a se esconder, mas não pelos motivos certos, apenas para dormirmos mais um pouco ou não ter que ir, já, para a escola.
Aposto que poucos dos que lerem isso poderão dizer que, mesmo que sem querer, viram o Sol nascer. Menos ainda os que presenciaram o nascer do Sol mais de uma vez. E nenhum poderá dizer que foi igual. Ou ainda que não lhe despertou nenhum sentimento.
O Sol não tráz consigo apenas um novo dia, ele ilumina, gradativamente, tudo que nos cerca. Detalhes ficam à mostra, as cores mudam e ficam cada vez mais vivas, os pensamentos ficam calmos, as idéias vêm surgindo, o calor aumenta. Ou, em noites frias, chega.
É surpreendente o momento em que você percebe que o Sol está raiando. Principalmente quando você está fazendo algo que gosta, ou está muito concentrado, e não percebe que o tempo passou.
Os primeiros raios, ainda fracos e que te pegam desprevenido, são os mais bonitos. São eles que tiram o preto de cima e pintam o céu da azul. Roxo. Rosa. Laranja e amarelo. E, por fim, um azul clarinho, que te trás uma paz enorme, quase sem fim. É então que você sente uma ternura, uma gratidão por estar ali e por sentir aquilo. Em algum momento você percebe a efemeridade das coisas, a insignificância de seus problemas em frente à grandeza do céu, da Terra, da vida e da Natureza.
Também é impressionante o fato de que, independente da nossa vontade, o Sol vai se pôr e nascer. Como foi hoje, ontem, há três semanas e daqui a dois anos. Todo dia. Seja dia de semana, ou feriado. Sem se importar com a economia, o Sol vai e volta trazendo um novo dia, uma nova vida, cheia de possibilidades.
Por fim, há no francês uma expressão muito usada, que é ‘je vous emprie’, que quer dizer ‘eu vos permito’. Então use a: permita que o dia, a paz, a esperança, a serenidade e a sabedoria entrem. Cotidianamente.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Possibilidades

Se você, assim como eu, vê todos à sua volta encontrarem alguém ‘pra quem voltar’ e você permanece voltando pra sua mãe, saiba que eu sei como você se sente e isso é sim uma droga.
            Eu, particularmente, não sei qual é o pior medo: ficar só pra sempre, ficar pra sempre com alguém que você não ama de verdade ou ver todo mundo ser feliz.
            O primeiro é ruim, porque você sempre será a vela. Sempre. Você vai ter que ver todos aqueles beijos apaixonados, querer unzinho pra si e só vai receber beijos babados, estilo tia-avó. Prós? Sobra mais dinheiro no fim do mês. Você come bem, não tem que dividir sua comida preferida. Pode viajar pelo mundo, conhecer pessoas lindas e maravilhosas – ou nem tanto. Você pode se sentir só às vezes, mas todos nós nos sentimos sós de vez em quando.
            Já o segundo é ruim, mas mais fácil de resolver: separa. Demora ou não acontece, mas depende de você e das circunstâncias. Então não vamos discutir esse caso.
            O terceiro só acontece quando o Cosmos tá de sacanagem com você. E você se pergunta: “Universo, o que eu fiz pra você, ein?, eu jogo o lixo no lixo, obedeço meus superiores, não reclamo mais do que o normal, sou chato como qualquer pessoa, tenho problemas – como todo ser humano -, claro que já falei mal de algumas pessoas pelas coisas (que mal tem, né?), já colei em prova, já escondi boletim.. Mas e daí? Só por isso eu só vou ser amado pelos meus pais?”. Não é justo, eu sei. Mas às vezes o Cosmos não tem o que fazer e vai sacanear-nos, nós, reles mortais...
            Tem a opção das pessoas bonitas, felizes e de filme: elas vão ser felizes para SEMPRE com a mesma pessoa. Mas, não esqueça, que às vezes “a arte imita a realidade e a realidade imita a arte”.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A procura do Yang

Não se preocupe você vai achar o Yang do seu Yin! Não importa se você é bonito ou feio, gordo ou magro, feliz ou triste, você vai encontrar alguém que te complete, que seja quase o seu oposto, mas que tenha algo que te faça lembrar a si mesmo. Porque dois Yins não se suportam! Mas saiba que você pode conhecer várias pessoas antes de ter certeza que aquela é o seu Yang, entenda que todos nós temos medo de conhecer muita gente e nenhuma delas ser seu Yang.. Ou, simplesmente, não reconhecê-lo. Pela última vez: não se preocupe tanto! Um dia você e seu Yang vão estar decidindo entre ter um gato, um cachorro ou uma criança! E vocês vão ter os três...



quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sorrisos

Amanda acordou com uma incontrolável vontade de fazer do mundo um lugar melhor. Não era rica, não era das mais inteligentes, nem bonita ou influente. Depois de muito tempo pensando, ainda deitada, parou de pensar na sua vontade e lembrou como sua noite tinha sido agradável, apenas sorriu pensando em seus amigos. De súbito se levantou e pensou: um sorriso, assim como uma cara triste, se espalha rapidamente.
Sua tática seria espalhar sorrisos. Simples.
Foi o que ela fez, como era sábado pôde se levantar e ir caminhar.  Estava meio nublado, as pessoas corriam com caras assustadas. Outras sem sentimento algum.
Ela pensava que em algum ponto cansaria de sorrir, mas percebeu que quanto mais sorria mais tinha vontade de sorrir. Quando sorria aleatoriamente, imaginava seus sorrisos como lazeres que atingiam pessoas pela rua e quando atingidas as pessoas se assustavam.  Amanda pôde ver que as pessoas sentiam-se surpresas e assim seus pensamentos ficavam claros para ela: “está sorrindo pra mim, eu te conheço?”. E percebia que as pessoas iam andando sorridentes, não sabia se porque seu sorriso era contagiante ou se achavam aquela situação um tanto inusitada.
                Sem importar-se com o motivo dos sorrisos, a garota continuou seu caminho, sem perceber que saíra da sua rota usual, já estava em uma parte do bairro onde nunca havia passado. Via-se tristeza por todo lado, sujeira e descaso. Amanda sentiu-se impotente e resolveu voltar a casa.
                Lá chegando entrou em contato com vários amigos e todos se dispuseram a ajudá-la a espalhar sorrisos. No dia seguinte todos se encontraram em frente ao seu apartamento e caminharam tão sorridentes quanto na sexta-feira anterior.
                Seus risos eram tão contagiantes que as pessoas que passavam por eles na rua, começavam a sorrir e pareciam mais relaxadas. Já chegando na região, que como eles chamaram, seria “enfelizada”, perceberam que a situação era mais crítica do que eles imaginaram.
                Os sorrisos sumiram dos seus rostos e, já cabisbaixos, decidiram que aquilo estava fora do seu alcance. Mas, um garotinho que passou por eles, carregava consigo um sorriso tão desprovido de maldade, sem causa aparente, que todos eles foram tomados pela magia do riso inocente do menino e começaram a sorrir sem ao menos perceber.
                Foi então que um deles resolveu abraçar a missão e, simplesmente, sorrir.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Um amor de verdade.

Como descrever o que aconteceu? E pior: como descrevê-los? Marina era linda: pernas e braços torneados na medida certa, pele feito canela, cabelo longo e escuro, seus olhos grandes e profundos, sem falar nos lábios; definidos, grossos e vermelhos. Já Antônio não saberia descrevê-lo, mas, decerto, não deixava a desejar.
                Todos diziam que juntos formavam o casal mais bonito de todos; até as senhoras mais severas diziam às crianças que eles se amavam de uma forma inexplicável e acima da compreensão. Que, literalmente, foram feitos um para o outro.
                Ela teve ‘oportunidade’ de ascensão, casar-se com um homem muito rico e mudar de vida, mas disse não: afirmou estar completamente apaixonada por Antônio. Não podendo mais resistir, os tolos amantes casaram-se, achando que tudo daria certo.
                E deu, tiveram três filhos, mas nenhum conseguiu ser tão bonito quanto nenhum de seus pais. O amor inspirava a todos. Até que um dia, Antônio adoeceu, e em pouco tempo morreu, eles viviam na época da tuberculose. E uma vez com a doença, nada podia ser feito além de esperar.
                               Mas Marina ficou, não por muito tempo, porque passados oito meses, ela se foi, de tristeza, de tanto chorar ou, pior: de saudade. O consolo de toda a família é que os dois iriam ficar juntos para sempre, em um lugar que nada os atingiria.

domingo, 20 de março de 2011

Louca coincidência

Ela tinha chegado a tempo suficiente para ir e voltar a casa, mas não havia nada que pudesse fazer, já que os outros ainda estavam a caminho. Como tinha que esperar, preferiu ficar na livraria, assim o tempo passaria mais rápido.
- É nisso que dá ouvir minha mãe dizer que eu pego muita carona e querer vir me deixar. Mas ainda bem que vocês já tão perto. Quando vocês chegarem, me liga. Mas, provavelmente, eu ainda vou estar na livraria.
                Desligou o celular, pôs no bolso e voltou a ler seu livro. Passou a página e começou a percorrer os olhos pelas linhas, segurando o livro firmemente e brincando com o marca-página, girando-o como se fosse uma baqueta, quando foi surpreendida por uma voz desconhecida:
                - Você sempre vai ao shopping para ler? – Ele sentou-se na poltrona do seu lado.
                Ela virou-se para ver quem era e ficou extasiada por ver que era um garoto famoso de outro estado. Mas segurou sua reação e fechando o livro com seu dedo na página em que estava disse:
                - E você, costuma falar com estranhos em qualquer lugar, ou só no shopping? – Deu uma leve risada e abriu um sorriso debochado.
                - Justo. – Sorriu e esticou o braço – Meu nome é.. – E foi interrompido por ela.
                - Eu sei quem você é. Percebi quando vi aquelas meninas cochichando e desejando que eu morresse. – Passou a olhar para uma estante, onde algumas meninas se escondiam, enquanto ele se virava para fazer o mesmo.
                Eles puderam ouvir gritinhos e risos, ao mesmo tempo em que ele ria envergonhado e ela sem acreditar no que acontecia.
                - Mas você ainda não me respondeu – disse ele se virando para olhá-la.
                - Ah, não! Mas sempre levo um livro na bolsa. Nunca se sabe quando se vai precisar de um amigo, não é mesmo? – E ela sorriu, deixando o atordoadamente encantado.
                - Faz sentido... Por sinal, adorei sua bolsa – Falou apontando para a bolsa que a menina tinha no colo. Mas logo que se calou, achou que era um babaca por ter falado aquilo.
                Ela só sorriu e disse, enquanto punha o marca-página dentro do livro e abria a bolsa:
                - Sério? Obrigada, eu adoro bolsas grandes e cheias de bolsos. Cabem tudo.
                E ao calar-se, pôs uma sacola com três CDs e seu livro na bolsa.
                - Mas o que você faz aqui, tão longe de casa?
                - Vim visitar um amigo, afinal, estamos de férias!
                Os dois sorriram, viraram e sentiram o outro corar. Ela abaixou a cabeça procurando coragem e, os dois, falaram ao mesmo tempo:
                - Seu amigo deve ser bonito – Ela
                - O que você tá lendo? – Ele
                -Orgulho e preconceito – Sorriu quando disse
                - Por que? – riu sem entender
                - Porque pessoas bonitas têm amigos bonitos – disse rindo, como se tivesse esperado muito tempo para falar aquilo e tivesse saído como esperado.
                Ele logo começou a rir com ela e deu um sorriso enorme.
                - Então aposto que os seus são mais bonitos que os meus – disse ele contente.
                - E eu aposto que você precisa de óculos – ela disse sem graça, quando seu celular começou a tocar e ela atendeu – Fala, chapa. Ahãm, tô na livraria. Em baixo. Tá bom – E desligou.
                - Eu gosto muito dessa música! Essa banda é muito boa...
                - Ah, eu também! É uma das minhas bandas favoritas. Comprei mais um cd deles hoje – Falou entusiasmada
                - Nossa, que legal! Posso ver? Tenho umas músicas deles no meu ipod – E pôs para tocar.
                - Claro! – Tirou o saco da bolsa, entregou a ele e pegou seu ipod.
                Enquanto ele via os CDs, ela mordia o lábio e se perguntava como aquilo estava acontecendo. Ficou imaginando coisas bobas e rindo sozinha. De repente percebeu que ele estava olhando-a sem entender e seus amigos estavam em pé na frente deles, os encarando. Ela pôs-se de pé e disse:
                - Esses são Luíza, Matheus e Rafael, meus amigos. E eu aposto que, pelas caras, vocês sabem quem ele é. – Disse virando para ele e dando-lhe o ipod.
                - Sim! Claro! Ahãm! – Disseram os três em uma só voz.
                Os dois ficaram sem graça e ele pôs a sacola com os CDs de volta na bolsa dela, para poder se levantar. Enquanto ela fechava a bolsa e ficava ao lado dos seus amigos, esses davam cotoveladas e beliscões uns n os outros. Já o menino, encabulado, apenas passava a mão na nuca.
                - Ééé.. Prazer conhecê-lo! Você é mais simpático do que na internet – Disse ela sem segurar o riso.
                - Ah, e você é quase tão simpática quanto bonita! – Falou o garoto, deixando-a vermelha como ele.
E com a frase, deu-lhe um beijo na bochecha. O que provocou uma cara de nojo nos meninos e um imenso ‘ooh’ da menina.
    - A gente se encontra por aí. Esse shopping não é tão grande quanto parece. – Dizendo isso retribuiu o beijo e os quatro saíram.
Ainda extasiado, ele pôs uma mão no bolso e abaixou a cabeça, sorridente. Passou a mão no cabelo e ficou daquele jeito por alguns segundos, que mais pareceram um ano.
Chegou a casa, desolado, por não tê-la visto de novo. Mas quando foi ouvir música, percebeu que, na livraria, a menina não havia feito o mesmo: havia algo em que ele não podia acreditar. Ela havia posto no bloco de notas seu telefone e seu e-mail, com um recado. E a mensagem era parte da letra da banda que os dois tanto amavam e servia de toque para o celular dela.

domingo, 13 de março de 2011

Uma notícia extraordinária!

                Diferente do que, por muitos anos, os cientistas sabiam, a raça humana só precisa de um elemento, cada vez mais escasso na superfície terrestre.
                O homem não precisa de água, oxigênio, luz solar, nem mesmo de comida; por mais que tudo isso facilite sua vida. Dinheiro, roupas, jóias: desnecessário. Por décadas todos tinham a convicção de que sem nada disso o homem não sobreviveria, mas ontem, foi comprovado, por estudiosos, que a vida é baseada em algo simples, porém difícil de achar. Mas segundo os pesquisadores há um ponto positivo: quando achado, o elemento se reproduz e espalha rapidamente e com muita facilidade.
                Outra parte da pesquisa afirma que pode-se encontrar, o que foi chamado de “elixir da vida” – que além de tornar a vida possível, torna-a mais feliz e amena –, em alguns outros planetas e na Lua, onde já teve a presença do homem ou de sondas espaciais.
                Por isso, se houver um acontecimento apocalíptico, há a esperança de que a raça humana possa se desenvolver e habitar outro planeta, longe da Terra. E se isso acontecer, o homem deverá ter cuidado para não acabar com a substância na superfície do novo planeta.
                E, segundo os pesquisadores, esse elemento é sagrado: ele é o amor.



Para a Kelly.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Um pouco suficiente

Era um dia como outro qualquer, o que o tornava "especial" é que ele havia tirado o para arrumar sua casa. Resolveu ir de fora para dentro: começar na sala e terminar no banheiro do seu quarto. Mas na cozinha não tinha permissão de tocar em nada, se não Verinha, sua "babá", enlouqueceria.
Passou pela sala de "TV", tirou filmes antigos, almofadas estragadas, forrou seu sofá com um pano e mudou a televisão de lugar. Depois a sala de estar: trocou a ordem dos porta-retratos, pôs alguns livros novos na estante e bombons na bomboniere.
Chegando ao escritório preferiu começar pelo armário das fotos: separando-as em bolos distintos - por ocasião, ano ou família - para montar álbuns depois. Mas notou que algumas fotos não se encaixavam nas pilhas já existentes: estavam em muitas ocasiões, por muitos anos, mas, de repente, essas pessoas pararam de aparecer nas fotos, e eram de uma família, mas não de sangue. Ele demorou um pouco para perceber quem eram, mas, como disse Sheakspeare, aqueles pessoas faziam parte da família que ele escolheu na sua infância: amigos da época da escola.
Tentou lembrar por que pararam de se falar, entretanto o esforço foi em vão: a cada tentativa, começava a rir de como eram felizes, de todas as besteiras que falavam e do quão tolos os seus problemas eram. Resolveu então fazer um mural, para nunca mais esquecê-los. Escreveu várias cartas para mandar juntas à casa de sua mãe e, assim, ela as destribuiria, já que de onde estava jamais poderia entregá-las.
Ele começou a sentir-se triste e sozinho. Algumas das cartas saíram com letras trêmulas e outras um pouco úmidas, assim que as leu, começou a pensar que aquele era o fim. Mas, depois, foi tomado por uma alegria imensa: ele devia ficar feliz porque durou o suficiente para ser inesquecível, não devia sentir a melancolia que antes o dominava, só porque durou tão pouco. Já que aquele pouco valeu a pena.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

E com a brisa o perfume

                Ela o esperava no banco do parque com suas botas cintilantes, como havia sido combinado. Brincava com as ligas em seu braço e tentava saber quanto tempo havia se passado, por quantas vezes um notável corredor de shorts azuis passava por sua frente.
Uma. Começou a se perguntar se estava no banco certo. Se ele a reconheceria. Se ele tinha pegue engarrafamento ou se decidira de última hora simplesmente não aparecer. Se seu cabelo estava bagunçado e se havia alimentado seus peixes.
                Duas. Cansou-se do “se” e passou para o “por que”: ficar sozinha ali; por que levantar-se e ver se o encontrava; por que não tomar sorvete ou viajar sem rumo; esperar; ou por que não?
                Três. Decidiu parar de se perguntar, já que nenhuma das respostas que ela encontrava a satisfazia. Olhou para suas mãos e percebeu que precisava fazer as unhas, pôs as luvas e embrulhou-se no casaco.
                Quatro. Ficou entretida com um casal de cachorros, levantou-se vagarosamente – com o intuito de não afastá-los, já que não aquentaria mais uma rejeição – para observá-los. Ficou por um tempo agachada, rindo sozinha, enquanto as pessoas passavam e os cachorros brincavam.
                Cinco. Seis. Sete. Parou de contar quando percebeu que seu rosto estava molhado: estava chorando e não sabia desde quando. Enquanto isso um rapaz procurava desesperadamente por algo. E, sem ao menos enxugar o rosto, a menina se levantou e caminhou.
                Foi quando eles foram envolvidos por uma brisa, que a fez parar e fechar os olhos e levou seu perfume a ele. E então ele se arrependeu de não tê-la encontrado.



Esse é meu primeiro 'conto' espero que gostem!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Feeling less than my ordinary self, i guess i must be getting older. /JasonMraz

 Aniversário? Que há de importante neles? Acontecem todo ano! Todo dia é aniversário de alguém! Mas um dia não se torna só mais um dia se ele te faz lembrar que nele alguém que você ama, e é insubistituível na sua vida, nasceu. O dia se torna memorável quando ele vai se aproximando e com ele a certeza de que se ele não existisse sua vida não seria a mesma.
Mas, talvez, se nós não contássemos os anos, a vida fosse mais fácil? não iríamos nos preocupar em envelhecer, mas só em viver a vida plenamente e de forma irrevogável.
Então, no seu aniversário, não pare para contar o tempo perdido e o que você tem pela frente ou se preocupar com quem ligou ou deixou de ligar, apenas fique feliz por ter nascido e saiba que para muita gente esse não é um dia qualquer.



Para Roberta Vládya,
Feliz aniversário!