É horrível quando, depois de
certo tempo sofrendo, você não sabe mais se está hipersensível ou apenas
dormente, sem sentir nada. Nada mesmo. Mas ainda pode ter um agravante: guardar
tudo para si, fingir que não te atinge ou simplesmente que não se importa. Eu
não digo que você deve demonstrar o que sente, mas que o melhor é nunca
aparentar o que não é. Diga “basta” às máscaras.
Tem vezes que tá tudo ruim e, ai,
uma coisinha insignificante, que normalmente não mudaria nada, acontece e você
fica meio com vontade de morrer e de matar. Geralmente de matar. É bastante
comum. Piora quando você chega a casa e não tem ninguém pra dizer que vai ficar
tudo bem. É quando você percebe que as outras pessoas têm suas vidas, seus
próprios problemas, trabalhos, e você vai ter que aprender a lidar com suas
coisas sozinho. Apesar dos pesares. Um
dia, quem sabe, essas pessoas saem de casa, casam, vão morar fora ou por
qualquer que seja a circunstância você vai se ver ‘sozinho’. Sem poder
continuar a dizer “nós estamos no mesmo barco, amigo”. Mas você também vai
chegar num momento que vai pensar “tem que cuidar” e vai começar a tocar sua
vida.
Outro problema é quando você se
boicota sem perceber. Vai levando como dá ao invés de como é pra ser, dando um
jeito, fazendo gambiarra e se escondendo da vida. Perdendo momentos,
oportunidades e pessoas.
Ficar sozinho é bom, mas
construir uma muralha entre você e o mundo definitivamente não é saudável. O
remédio é o enfrentamento. É como uma injeção: vai doer, mas o resultado é
eficaz. Por mais que você não saiba se vai passar ou pensa que talvez nunca
passe e fique pra sempre dentro de você, esperando algo acontecer que te faça
desmoronar, nunca esqueça a possibilidade de que, essa mesma coisa, possa te
fazer subir um andar inteiro.
