domingo, 20 de março de 2011

Louca coincidência

Ela tinha chegado a tempo suficiente para ir e voltar a casa, mas não havia nada que pudesse fazer, já que os outros ainda estavam a caminho. Como tinha que esperar, preferiu ficar na livraria, assim o tempo passaria mais rápido.
- É nisso que dá ouvir minha mãe dizer que eu pego muita carona e querer vir me deixar. Mas ainda bem que vocês já tão perto. Quando vocês chegarem, me liga. Mas, provavelmente, eu ainda vou estar na livraria.
                Desligou o celular, pôs no bolso e voltou a ler seu livro. Passou a página e começou a percorrer os olhos pelas linhas, segurando o livro firmemente e brincando com o marca-página, girando-o como se fosse uma baqueta, quando foi surpreendida por uma voz desconhecida:
                - Você sempre vai ao shopping para ler? – Ele sentou-se na poltrona do seu lado.
                Ela virou-se para ver quem era e ficou extasiada por ver que era um garoto famoso de outro estado. Mas segurou sua reação e fechando o livro com seu dedo na página em que estava disse:
                - E você, costuma falar com estranhos em qualquer lugar, ou só no shopping? – Deu uma leve risada e abriu um sorriso debochado.
                - Justo. – Sorriu e esticou o braço – Meu nome é.. – E foi interrompido por ela.
                - Eu sei quem você é. Percebi quando vi aquelas meninas cochichando e desejando que eu morresse. – Passou a olhar para uma estante, onde algumas meninas se escondiam, enquanto ele se virava para fazer o mesmo.
                Eles puderam ouvir gritinhos e risos, ao mesmo tempo em que ele ria envergonhado e ela sem acreditar no que acontecia.
                - Mas você ainda não me respondeu – disse ele se virando para olhá-la.
                - Ah, não! Mas sempre levo um livro na bolsa. Nunca se sabe quando se vai precisar de um amigo, não é mesmo? – E ela sorriu, deixando o atordoadamente encantado.
                - Faz sentido... Por sinal, adorei sua bolsa – Falou apontando para a bolsa que a menina tinha no colo. Mas logo que se calou, achou que era um babaca por ter falado aquilo.
                Ela só sorriu e disse, enquanto punha o marca-página dentro do livro e abria a bolsa:
                - Sério? Obrigada, eu adoro bolsas grandes e cheias de bolsos. Cabem tudo.
                E ao calar-se, pôs uma sacola com três CDs e seu livro na bolsa.
                - Mas o que você faz aqui, tão longe de casa?
                - Vim visitar um amigo, afinal, estamos de férias!
                Os dois sorriram, viraram e sentiram o outro corar. Ela abaixou a cabeça procurando coragem e, os dois, falaram ao mesmo tempo:
                - Seu amigo deve ser bonito – Ela
                - O que você tá lendo? – Ele
                -Orgulho e preconceito – Sorriu quando disse
                - Por que? – riu sem entender
                - Porque pessoas bonitas têm amigos bonitos – disse rindo, como se tivesse esperado muito tempo para falar aquilo e tivesse saído como esperado.
                Ele logo começou a rir com ela e deu um sorriso enorme.
                - Então aposto que os seus são mais bonitos que os meus – disse ele contente.
                - E eu aposto que você precisa de óculos – ela disse sem graça, quando seu celular começou a tocar e ela atendeu – Fala, chapa. Ahãm, tô na livraria. Em baixo. Tá bom – E desligou.
                - Eu gosto muito dessa música! Essa banda é muito boa...
                - Ah, eu também! É uma das minhas bandas favoritas. Comprei mais um cd deles hoje – Falou entusiasmada
                - Nossa, que legal! Posso ver? Tenho umas músicas deles no meu ipod – E pôs para tocar.
                - Claro! – Tirou o saco da bolsa, entregou a ele e pegou seu ipod.
                Enquanto ele via os CDs, ela mordia o lábio e se perguntava como aquilo estava acontecendo. Ficou imaginando coisas bobas e rindo sozinha. De repente percebeu que ele estava olhando-a sem entender e seus amigos estavam em pé na frente deles, os encarando. Ela pôs-se de pé e disse:
                - Esses são Luíza, Matheus e Rafael, meus amigos. E eu aposto que, pelas caras, vocês sabem quem ele é. – Disse virando para ele e dando-lhe o ipod.
                - Sim! Claro! Ahãm! – Disseram os três em uma só voz.
                Os dois ficaram sem graça e ele pôs a sacola com os CDs de volta na bolsa dela, para poder se levantar. Enquanto ela fechava a bolsa e ficava ao lado dos seus amigos, esses davam cotoveladas e beliscões uns n os outros. Já o menino, encabulado, apenas passava a mão na nuca.
                - Ééé.. Prazer conhecê-lo! Você é mais simpático do que na internet – Disse ela sem segurar o riso.
                - Ah, e você é quase tão simpática quanto bonita! – Falou o garoto, deixando-a vermelha como ele.
E com a frase, deu-lhe um beijo na bochecha. O que provocou uma cara de nojo nos meninos e um imenso ‘ooh’ da menina.
    - A gente se encontra por aí. Esse shopping não é tão grande quanto parece. – Dizendo isso retribuiu o beijo e os quatro saíram.
Ainda extasiado, ele pôs uma mão no bolso e abaixou a cabeça, sorridente. Passou a mão no cabelo e ficou daquele jeito por alguns segundos, que mais pareceram um ano.
Chegou a casa, desolado, por não tê-la visto de novo. Mas quando foi ouvir música, percebeu que, na livraria, a menina não havia feito o mesmo: havia algo em que ele não podia acreditar. Ela havia posto no bloco de notas seu telefone e seu e-mail, com um recado. E a mensagem era parte da letra da banda que os dois tanto amavam e servia de toque para o celular dela.

domingo, 13 de março de 2011

Uma notícia extraordinária!

                Diferente do que, por muitos anos, os cientistas sabiam, a raça humana só precisa de um elemento, cada vez mais escasso na superfície terrestre.
                O homem não precisa de água, oxigênio, luz solar, nem mesmo de comida; por mais que tudo isso facilite sua vida. Dinheiro, roupas, jóias: desnecessário. Por décadas todos tinham a convicção de que sem nada disso o homem não sobreviveria, mas ontem, foi comprovado, por estudiosos, que a vida é baseada em algo simples, porém difícil de achar. Mas segundo os pesquisadores há um ponto positivo: quando achado, o elemento se reproduz e espalha rapidamente e com muita facilidade.
                Outra parte da pesquisa afirma que pode-se encontrar, o que foi chamado de “elixir da vida” – que além de tornar a vida possível, torna-a mais feliz e amena –, em alguns outros planetas e na Lua, onde já teve a presença do homem ou de sondas espaciais.
                Por isso, se houver um acontecimento apocalíptico, há a esperança de que a raça humana possa se desenvolver e habitar outro planeta, longe da Terra. E se isso acontecer, o homem deverá ter cuidado para não acabar com a substância na superfície do novo planeta.
                E, segundo os pesquisadores, esse elemento é sagrado: ele é o amor.



Para a Kelly.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Um pouco suficiente

Era um dia como outro qualquer, o que o tornava "especial" é que ele havia tirado o para arrumar sua casa. Resolveu ir de fora para dentro: começar na sala e terminar no banheiro do seu quarto. Mas na cozinha não tinha permissão de tocar em nada, se não Verinha, sua "babá", enlouqueceria.
Passou pela sala de "TV", tirou filmes antigos, almofadas estragadas, forrou seu sofá com um pano e mudou a televisão de lugar. Depois a sala de estar: trocou a ordem dos porta-retratos, pôs alguns livros novos na estante e bombons na bomboniere.
Chegando ao escritório preferiu começar pelo armário das fotos: separando-as em bolos distintos - por ocasião, ano ou família - para montar álbuns depois. Mas notou que algumas fotos não se encaixavam nas pilhas já existentes: estavam em muitas ocasiões, por muitos anos, mas, de repente, essas pessoas pararam de aparecer nas fotos, e eram de uma família, mas não de sangue. Ele demorou um pouco para perceber quem eram, mas, como disse Sheakspeare, aqueles pessoas faziam parte da família que ele escolheu na sua infância: amigos da época da escola.
Tentou lembrar por que pararam de se falar, entretanto o esforço foi em vão: a cada tentativa, começava a rir de como eram felizes, de todas as besteiras que falavam e do quão tolos os seus problemas eram. Resolveu então fazer um mural, para nunca mais esquecê-los. Escreveu várias cartas para mandar juntas à casa de sua mãe e, assim, ela as destribuiria, já que de onde estava jamais poderia entregá-las.
Ele começou a sentir-se triste e sozinho. Algumas das cartas saíram com letras trêmulas e outras um pouco úmidas, assim que as leu, começou a pensar que aquele era o fim. Mas, depois, foi tomado por uma alegria imensa: ele devia ficar feliz porque durou o suficiente para ser inesquecível, não devia sentir a melancolia que antes o dominava, só porque durou tão pouco. Já que aquele pouco valeu a pena.